Justiça por Moïse

Moïse Mugenyi Kabagambe tinha 24 anos, nasceu no Congo e veio refugiar-se da guerra no Brasil aos 14 anos junto com mais dois irmãos. Vivendo entre Brás de Pina e Barros Filho, bairros da Zona Norte do Rio, Moïse era praticamente um carioca. Falava fluentemente portugês, jogava futebol toda quinta à noite no Parque de Madureira e torcia para o Flamengo, sendo grande fã do Gabigol e Arrascaeta. Todos seus amigos eram brasileiros. Quem o conheceu o descrevia como um rapaz calmo, que adorava cozinhar e tinha a mãe como foco de suas preocupações, sempre cuidando de seu bem estar.  

Moïse estava quase concluindo seu processo de naturalização brasileira, mas infelizmente uma tragédia cruzou seu caminho e interrompeu seus planos. Em 24 de janeiro, ele foi espancado até a morte com um taco de beisebol em frente ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca. 

39 vezes atingido, parou de respirar na 36ª pancada. 

Mas essa tragédia não foi um acidente, foi fruto de racismo estrutural, xenofobia e da total falta de acolhimento com os refugiados. Como nós, enquanto nação, deixamos isso acontecer? 

A Pró-reitoria de Extensão e Cultura da UERJ repudia este ato, e faz coro com as manifestações  que acontecem amanhã, às 10h, em frente ao Quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, lugar em que o congolês Moïse Kabamgabe foi espancado, torturado e assassinado. 

Os três suspeitos pelo crime já se encontram sob custódia das autoridades. Que esse crime não passe impune. É uma dívida do nosso país com toda a sociedade civil. 

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